quinta-feira, 21 de março de 2013

Como nunca antes



Ele sentia seu peito vazio de tal forma que nem a fumaça do cigarro adiantava mais. O gosto na boca era amargo e não dava pra saber se era por causa da bebida ou se sempre foi assim, mas ele nunca tinha percebido.
Não dava pra fixar o olhar no rosto das pessoas em que ele esbarrava, a rua estava muito cheia pra prestar atenção em alguém. A música que tocava no fundo misturava toda a melancolia com aquele amontoado de vozes e risos e não se podia entender nada...  
Lábios, rosto, pernas, corpo, alma...  tudo amortecido e anestesiado. Tudo combinava muito bem com os vultos que ele via contra a luz naquelas calçadas cheias.
Meio tonto, meio não. Ele não sabia se estava em movimento ou parado, nem sabia o que queria fazer ou o que estava fazendo. Ele só queria se sentir vivo e acompanhado, mas, naquele exato momento, sentiu-se  sozinho e morto como nunca antes.

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