'Um dia quase inútil. Como sempre, perdido entre milhões.
Voltei aos lugares que me faziam sentir livre, mas nenhum deles continua com o mesmo brilho de antes.
Enfim, me restava a rua úmida e mal iluminada...
Valeram a pena os poucos passos sozinhos que dei, pois o cheiro de terra molhada e o frio que me acompanhavam na estreita esquina que acabara de dobrar o meu destino, me fizeram, e fazem, ter orgulho do que fiz e do que sou.
Então, quando eu já nem precisava tanto, lá estava. E estava como sempre esteve, como meu maior desejo.
Em pouco tempo, menos do que normalmente seria necessário, me convenceu de que a distância e o frio da noite interminável eram menores do que o prazer de ouvir a verdadeira voz de quem estava do outro lado, de onde antes eu não podia ouvir.
Fazia tempo que já não sentia o frio na barriga que me fazia transbordar de ansiedade e apreensão.
Depois de muito, quando lá cheguei, eu vi sob o radar e pouca luz o que em tão pouco tempo, desejei com tão grandiosa força. Nesse momento a agonia deu lugar a satisfação e a expectativa.
De repente, estava no último lugar que eu achei que estaria quando acordei naquela manhã. E foi lindo, foi mágico... desde as doces palavras até o tocar dos lábios.
Então ali, naquele momento, percebi que o acaso é o melhor tempero para o amor dos loucos.

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